Mãe do protagonista Breno Viola dá entrevista ao blog

28 ago

Quando a psicóloga e pedagoga Suely Viola veio do Rio de Janeiro visitar o filho durante as filmagens do "Colegas", aproveitei para entrevistá-la e saber mais sobre como lidar com a síndrome de Down.

O que fazer quando se descobre que o filho tem síndrome de Down?
Amar o filho – eu amei o Breno desde o início, assim como amei meus outros filhos. Aceitar não é o bastante, tem que realmente amar, ter paciência, tratar com carinho e educá-lo como se educaria um filho sem nenhuma dificuldade aparente. Depois é preciso buscar ajuda, pois a síndrome de Down traz alguns problemas que quanto antes forem tratados, melhor. Fui professora de criança especial e posso afirmar que, em geral, elas têm baixa auto-estima e muitas enfrentam conflitos familiares. Por isso, é fundamental trabalhar a auto-confiança para que se sintam felizes, seguras e preparadas para a vida. Quanto mais conviverem com outras pessoas, mais estimuladas serão. Com isso, terão mais oportunidades para desenvolver suas habilidades. Os pais devem procurar fazer o filho feliz e o mais auto-suficiente possível. Nem todos conseguem, mas esse é o objetivo que se deve ter.

Breno com o presidente Lula (crédito da foto: Ricardo Stuckert/PR)

Quais os paradigmas que você quebrou na educação do Breno?
Antigamente diziam se referindo à criança com síndrome de Down: “o que ela não aprender até os 10 anos não aprenderá mais”. Mas a história não é assim. Ela precisa de muito estímulo cerebral e exercícios diferenciados para suprir suas deficiências e quanto antes começar, melhor. Algumas podem apresentar mais dificuldades por não terem sido trabalhadas algumas necessidades como percepção visual e auditiva. O Breno foi estimulado desde o nascimento e, a partir dos quatro meses de idade, passou a fazer um trabalho de chão para melhorar a hipotomia (tonicidade muscular reduzida) supervisionado pelo fisiatra americano Glenn Doman. Também fez fono, tratamento na arcada dentária e várias atividades como natação, vela e judô – esporte que pratica desde os três anos em casa e desde os seis anos no Flamengo (Breno é de uma família de judocas).

Breno: faixa preta nos tatames e na vida

Falando nisso, como o esporte desenvolveu o Breno?
O esporte foi fundamental para solidificar a auto-estima dele e torná-lo referência no Brasil e exterior por ser o primeiro faixa preta de judô das Américas. O judô, aliás, é a segunda família do Breno, permitindo a convivência com amigos que foram fundamentais em seu desenvolvimento. Através do judô, ele se socializou, fez muitas amizades e tornou-se mais extrovertido do que já é. Aos 18 anos, ele começou a fazer musculação na academia By Fit Club, o que também contribuiu para sua socialização: ele participa de todas as festas, vai à baile funk, pratica vela… Ele se sente normal.

Qual o impacto dos irmãos na vida do Breno?
Os irmãos foram fundamentais na vida dele. O Mario e a Kamille sempre o trataram de igual para igual. Eles têm amigos em comum e sempre frequentaram as mesmas festas e reuniões. Os irmãos o amam muito e são extremamente educadores.

Como a família recebeu a notícia de que o Breno seria protagonista do Colegas?
No fundo, todo mundo já esperava que, um dia, ele seria artista. A avó Conchetta é astróloga e viu no mapa astral dele que seria muito querido, se sobressairia em várias áreas e seria conhecido. Os amigos torcem muito por ele.

Encontro de gigantes da arte marcial: Breno com Demian Maia e Fernando Margarida

Coletiva de imprensa do filme: Breno com a atriz Juliana Didone e o diretor Marcelo Galvão

A síndrome de Down transforma a vida da família. Que tipo de aprendizado vocês viveram?
A síndrome de Down nos tornou pessoas muito melhores, mais sensíveis e atentas às diferenças. Em suma, fez com que a gente tivesse outro olhar, nos humanizou e nos fez perceber que todo ser humano pode evoluir: só depende de serem dadas as oportunidades.

17 Respostas to “Mãe do protagonista Breno Viola dá entrevista ao blog”

  1. Kamille Viola 29 de agosto de 2010 às 3:18 am #

    Aiiiii, que saudade da minha figurinha!!!

    • Aleksandra Zakartchouk 31 de agosto de 2010 às 6:33 pm #

      Imagino, Kamille! Qdo o filme terminar, eu tb vou sentir MTA saudade do Breno! Tão querido…

  2. Van 29 de agosto de 2010 às 4:07 pm #

    A mim me ensinou a amar incondicionalmente e a acreditar na potencialidade do ser humano, quebrando qualquer preconceito.

    • Elaine 30 de agosto de 2010 às 2:10 am #

      Que coisa mais linda!!
      Parabéns Breno e família Viola!!!!!
      Bjs!!

      • grazielle 31 de agosto de 2010 às 5:51 pm #

        olá,
        Parabéns!!!
        Estou acompanhando anciosamente a estréia deste filme. Achei muito legal, vocês abrirem um espaço para o público poder acompanhar de pertinho e vivenciar a construção, os bastidores do filme. Em especial a conviver com as diferenças. Pois mesmo com tanta informação, ainda existe um preconceito enorme com relação as “crianças especiais”. Breno, você da um baile em muita gente que se diz ser “normal”!! Não só você, mas a Rita o Ariel e todo o elenco, são um exemplo de superação. Parabéns e muito sucesso para todos vocês!
        E eu fico aqui na torcida!

      • Aleksandra Zakartchouk 31 de agosto de 2010 às 6:21 pm #

        Oi Grazielle,

        Adoro compartilhar o mundo dos bastidores e manter esse relacionamento com vcs. Hoje vcs são leitores do blog e mais p frente, se Deus quiser, vão marcar presença nas salas de cinema p q nosso “Colegas” seja um grande sucesso! Estamos nos doando de coração p q o filme fique um arraso e q possamos combater o preconceito com uma linda mensagem e exemplos de vida!

        Bjo grande e super obg pela torcida!

  3. suzanne levy 2 de setembro de 2010 às 9:12 pm #

    CADA VEZ ESTOU MAIS APAIXONADA POR ESTA PRODUÇÃO.
    ATRAVÉS DO BLOG, ESTOU TENDO A OPORTUNIDADE DE CONHECER OS PROTAGONISTAS, ARIEL, RITA E BRENO MELHOR E ACOMPANHO MOSTRANDO PRO YVES TUDO ISTO. OUTRO DIA ACHEI UMA LUTA DO BRENO NO TATAME E MOSTREI PARA ELE. ACREDITEM, QUANDO O YVES FOI TREINAR, ATÉ PARECE QUE ELE INCORPOROU O BRENO, SAIU LASCANDO UM IPON. O BRENO É UM MODELO PARA O YVES, GOSTARIA MUITO DE VER OS DOIS JUNTOS !!!!
    Abraços,
    Suzanne

    • Aleksandra Zakartchouk 3 de setembro de 2010 às 4:16 pm #

      Oi Suzanne

      Q alegria ler sua mensagem! Vou ler p Breno, ele e o Yves se conhecem do mundo dos tatames, né! Espero poder conhecer o Yves e vc em algum momento da nossa trajetória, o Marcelo fala c mto carinho de vcs.

      Bjão, querida!

  4. SILA VALÉRIA ALVES 26 de agosto de 2012 às 1:47 pm #

    Olá p/ todos. Eu SILA VALÉRIA,fui Agraciada por DEUS de ter em minha VIDA, um FILHO portador da SÍNDROME DE DOWNN, que se chama IGOR ALVES, é torcedor frenético do FLAMENGO, e o seu sonho é tirar uma foto com WAGNER LOVE.Infelizmente o meu poder aquisitivo é baixo, mas o meu coração e principalmente o DELE é GRANDE.Tudo que pude dar ao meu FILHO diante das minhas possibilidades, eu dei.Errei muitas vezes, por naõ saber como lidar, exigi muito,pensando que assim ele iria aprender, hoje, olhando p/atrás, vejo que mesmo sem saber e sem querer, acertei em algumas coisas e modifiquei outras que pensava ser certo.Penso eu, que ´é assim que se aprende e se acerta.Somos humanos, e como tal, estamos sempre tentando acertar,vejo nele(o meu filho), coisas como eu não via antes, e que me acrescentou muito p/entender certas coisas que à vida às vezes nos impõe diante das surprêsas, e do desconhecido, o outro lado do ser humano,nós estamos acostumados à lidar e conviver com a mesmice, e quando chega p/gente de “paraquedas” o outro lado da moeda, nos assustamos,por não sabermos como “agir” com o desconhecido, como já disse.Mas basta,ir observando, com paciência(e às vezes não), que a gente leva um “susto” bom,e serve p/ nós acordarmos e ver que “eles” não são “coitadinhos”, como muitas pessoas os taxam, e não é só com à síndrome de downn, mas com todas às síndromes existentes. Eles (todos) são SERES HUMANOS, que SENTEM DÔR, PRAZERES, TRISTEZAS, ALEGRIAS, E ETC, COISAS COMUNS DA VIDA QUE QUALQUER SER HUMANO dito “NORMAL” SENTEM. Sabem qual é a única diferença “deles” p/ “nós”? Não é demagogia o que vou escrever agora, é observação, porque EU, tenho um em casa. Eles são bem mais , SENSÍVEIS, INTELIGENTES e OBJETIVOS, do que nós ditos “Normais”. Ensinem à ELES, o que é correto, e teremos uma resposta SURPREENDENTE. Meu nome é :SILA VALÉRIA ALVES, e com o MAIOR ORGULHO, SOU MÃE DE UM PORTADOR DA SÍNDROME DE DOWNN, QUE TEM O NOME DE:IGOR ALVES, ele tem 21 anos, e eu 50.

    • Aleksandra Zakartchouk 4 de setembro de 2012 às 4:42 pm #

      Verdade, Sila, eles estão sempre nos surpreendendo. Um beijo p vc e p o Igor!

      • SILA VALÉRIA ALVES 7 de setembro de 2012 às 12:02 pm #

        Realmente, eles sempre nos surpreendem, e o bom da VIDA é isso. Sou muito apaixonada por eles. Bjs à todas as SÍNDROMES, INDEPENDENTE DE QUAL SEJA, e às suas FAMÍLIAS também!

      • SILA VALÉRIA ALVES 7 de setembro de 2012 às 12:10 pm #

        Fazendo uma correção, eu SILA sou mãe do IGOR, e não do YVES. Bjs.

  5. SILA VALÉRIA ALVES 26 de agosto de 2012 às 2:03 pm #

    Parabéns ao BRUNO VIOLA, RITA E ARIEL, e aos demais participantes do filme. Meus agradecimentos ao diretor:MARCELO GALVÃO,pelo empenho p/ que esse feito fosse realizado com louvor. Aguardo ansiosamente pelo lançamento do filme. ARIEL, se não me engano, já vi você em um episódio de: CARGA PESADA.

    • Aleksandra Zakartchouk 4 de setembro de 2012 às 4:40 pm #

      É verdade, Sila, o Ariel já participou do Carga Pesada!

  6. Vanda 14 de abril de 2013 às 9:26 pm #

    Gostei muito da proposta do filme, é gratificante ver que as pessoas com síndrome de Down possuem um grande potencial, basta dar uma chance e foi justamente isso que o filme “Colegas” veio mostrar para todos nós! Realmente uma grande lição de vida! Desde que tive uma filha com Síndrome de Down, passei acompanhar o Breno Viola e outros portadores da Síndrome. O Breno é uma grande inspiração para toda minha família! Ele tem um carisma estonteante, eu curto demais ele, mas todos os atores do filme estão de parabéns, cada um tem o seu valor! Minha filha Down tem 10 anos e eu também tenho um filho autista de 14anos! Não tenho um bom poder aquisitivo para pagar boas terapias ou boas escolas, mas tenho um grande amor por eles e faço aquilo que está ao meu alcance!

  7. gaoni monteiro 25 de junho de 2013 às 10:05 am #

    ola bom dia tenho filho de 2anos 5 meses que si chama breno lacerda monteiro e so ele ve a propaganda na rede globo que fala do breno viola ele fa numero um breno viola gostaria de fazer contato com breno viola pois gostaria que ele soubese q tem um fa tao novo que si encanta com ele agradeco pela atencao obrigado gaoni monteiro

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